Tiro.
Enfio.
Tiro Henfil.
E não retiro mais,
Ao contrário até, Eu re-tiro,
Sem, no entanto,
Me ausentar.
Refil Sem me trocar,
Sem me tocar.
Enfio E tiro,
Henfil
E tiro Como num quadrinho: Bum!
Filho-da-mão,
Hem, fio!
Toma tua linha, fio
Ou então Eu te enfio
Na cara, Capadócio,
Um tapa,
A sangue-frio.
Tiro,
Enfio.
E já ninguém me olha,
Tomando-me por atirador,
Sem me tomar Por profissional enfiador,
Sequer um amador.
E eu esfrio,
Mesmo sentindo
Ainda ter
Tanta bala na agulha,
Tantos cabelos no pente,
Tanta linha de costura,
Tanto fio, hem, mão!
E se tiro tanto,
E se enfio muito,
É para que,
De tanto tiro,
Me enfiem,
Nalgum lugar,
Fora do meu próprio espaço,
Onde eu possa,
Vindo isso mesmo a calhar,
Depois de tantos pores,
Ver um sol nascer,
Quadradinho,
Como (n)um quadrinho,
Um minúsculo,
Como se pintado,
A dedo,
Na unha,
Bem rente à carne,
Com a mestria de quem,
Já posto o sol,
Ainda enfia
Sua linha,
Como bala,
Na agulha,
Como quem,
Mestre em tiro,
Atira a linha
Num mar-alvo
E acerta na bala,
Uma esquecida,
Ali atirada,
Cuspida pela boca,
Arma de fogo,
Perdido o gosto
Por tanto chupar
Seu sabor artificial,
Tal qual
Estas linhas aqui.
Refazê-las?
Refi-las.
Mas, cansadas de esperar,
Debandaram da fila.
E eu, que fiz?
Tiro, claro!
Enfiei-lhes bala.
Cuspi-lhes fogo.
Da minha própria boca, porém,
Língua de artifícios,
Só linhas,
Mais e mais.
Então, descubro
Que durante todo esse tempo
Fui a isca,
Enfiado,
Atirado,
Mas jamais mordido.
É ou não é
Para (se) dar um tiro?!
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